POETA DO CAIS (Homenagem ao poeta e jornalista Alcy Araújo - 1924-1989)


QUANDO É NATAL NO MUNDO

Alcy Araújo

 

É Natal!

Reza a minha alma de joelhos pelo menino sem brinquedos que perdi, na minha pobreza de sempre.

É Natal!

Reza meu coração no altar do Amor pelo desamor que anda por aí.

É Natal!

Repetem meus arrependimentos nas estradas.

E uma alegria imensa absorve as tristezas que fabriquei no mundo.

Um sentimento infinito de bondade apaga as dores que construí durante o meu ontem irreversível. Uma ternura imensa acende felicidades futuras, porque é Natal, neste sábado do mundo.

Há um polichinelo no bazar. Pertence ao menininho doente que Jesus chamou para o seu reino. Uma boneca abandonada já não chama mamãe para a garota loura que um anjo levou pela mão naquela manhã de sol. Mas outros brinquedos coloridos fazem ciranda em torno das árvores de Natal e milhares de crianças são felizes nos lares cristãos do meu país sem coordenadas.

Enquanto isso, Deus sorri, pleno de amor, por trás da Eternidade.



Escrito por Filhos do Alcy Araújo às 05h21
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É TEMPO DE ESPERANÇA

Alcy Araújo

 

O Natal está bem aí, anunciando alegrias e saudades. Eu bem que poderia estar feliz escrevendo esta crônica. Mas lembro que não tenho infância e que Papai Noel não vai trazer, ainda desta vez, o polichinelo que vi num bazar, quando a vida era feita de esperanças.

A vida ainda traz esperanças, mas agora é feita de saudades, saudades do que fui e do que poderia ter sido se naquele Natal que Papai Noel não veio e se esqueceu de mim houvesse trazido o pequeno polichinelo colorido, que fazia trejeitos engraçados. Sei que para ele custaria muito pouco o presente.

Não sei que desobediência ou outro pecado infantil Papai Noel penalizou. Mas a verdade é que ele nunca trouxe o polichinelo, nem naquele ano, nem depois, nem agora quando estou mais órfão do que nunca.

Aliás, não tem sido fácil ser órfão sem um polichinelo, sem uma bola colorida ou uma rosa orvalhada. Eu poderia comprar uma rosa, comprar uma bola, comprar um polichinelo. Mas isto me tornaria mais órfão de carinho do que já tenho sido neste meu andar pelos sertões e veredas da vida.

Contudo, é Natal. E a criança órfã que habita o homem de hoje, ainda vai iluminar um presépio, uma árvore de Natal e se emocionar quando os sinos bimbalharem na Matriz de São José, chamando os fiéis para a Missa do Galo.

O menino órfão que há no homem ainda vai chorar quando os sinos disserem, do alto do campanário, que Jesus nasceu. Será como há dois mil anos, quando numa gruta de Belém, um menino foi adorado pelos Reis Magos e pastores e trinta e três anos depois os homens mataram o menino, numa cruz fincada no topo de uma colina fora da cidade de Jerusalém.

Descubro que o seu nascimento se renova porque Ele ressuscitou e com Ele as esperanças que ainda existem no coração deste menino que envelheceu e conta saudades.

Sei que estou escrevendo diferente porque é tempo de Natal e estou de mãos vazias e com os olhos abastados de lágrimas, com o coração sortido de ternura e a alma carregada de angústias.

Além disso há as mágoas que me ofertaram e as mágoas que plantei, como um lavrador de desencantos. Mágoas minhas e dos que me amaram.

Todavia, é tempo de esperança e encontro pelas ruas o sorriso das crianças. Que elas, pelo menos, possam ser felizes nestes tempos amargos...



Escrito por Filhos do Alcy Araújo às 05h20
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O poeta e a filha do poeta

 

Ray Cunha

 

Vi apenas quatro vezes o poeta Alcy Araújo. Certamente o vi muito mais vezes, mas não foram tão importantes quanto essas quatro. Certa vez, no Cine Territorial, ele apresentava um programa de auditório da Rádio Difusora de Macapá, e a melhor parte do programa foi a apresentação da filha do poeta, que interpretou uma gravação de Roberto Carlos. A Lolita povoou o imaginário de muitos da minha geração. Eu tinha 13 anos quando escrevi meu primeiro poema, em transe, inspirado na filha do poeta. Não me lembro mais que fim ele levou, mas se transmutou em perfume e, desde sempre, exala romance, aventura, cheiro de jasmim em noites sufocantes de agosto.

 

A ninfeta, filha do poeta, era um botão, mas já tinha voz aveludada, olhos doces, cabelos de mel e pele de marfim. O poeta Rodrigues de Souza, o Galego, espalhou que estava namorando a filha do poeta e que provaria o que andava dizendo. Disse-nos que namoravam na Praça Barão do Rio Branco, no fim da tarde. Checamos. De fato, ele se encontrava com ela no banco da praça, o que nos deixou mortificados de ciúme. Mas havia alguma coisa estranha. Eles não se beijavam, nem se abraçavam, e sequer pegavam as mãos um do outro. Ele explicou para nós que o namoro era mais intelectual do que sensual.

 

Alguém resolveu checar de novo e inquiriu a filha do poeta. Ela desmentiu o namoro. Meu querido amigo Galego tinha inventado tudo. Vivia o que escrevia. Como a filha do poeta saía da Rádio Difusora no fim da tarde e passava pelo banco da Praça Barão do Rio Branco, Galego ficava a postos para abordar a Lolita.

 

E assim passavam os dias. Naquela época, eu começara a freqüentar a casa do poeta Isnard Lima Filho na Rua Mário Cruz, e Alcy Araújo, da tribo das madrugadas, povoava minha imaginação. Eu devia ter, então, 14 anos. Eram os idos de 1968. Mais ou menos nessa época o pintor Olivar Cunha estava expondo na antiga Associação Comercial de Macapá quando, uma noite, Alcy Araújo apareceu, com um cigarro apagado nos lábios. Dirigiu-se a uma senhora negra, elegante, que apreciava as telas de O. Cunha.

 

- Nega, tu tens fogo? – perguntou-lhe, com intimidade.

 

- Não, senhor! – ela respondeu, sempre elegante e na mesma intimidade. Não se conheciam. Era o charme do poeta que lhe dava aquela intimidade. Alguém acendeu o cigarro dele. Ficou um pouco. Foi-se antes de terminar o cigarro.

 

O poeta fora retratado por R. Peixe, que o pintara com os indefectíveis óculos fundo de garrafa. Esse óleo fala. Ouvimos a voz gutural, profunda, rica em tonalidades, do poeta. Seus olhos são um mergulho a um mundo mágico. Era desse mundo que ele trazia o perfume dos seus poemas e crônicas, e também lágrimas. O poeta vivia intensamente. Curtia tudo o que a vida lhe proporcionava. E agradecia ao éter com rosas para a madrugada.

 

Um dia, tive a honra de trocar algumas palavras com o poeta. Ele, e um colega seu de rádio, não me lembro quem - pois estive todo o tempo hipnotizado pela cartola do poeta -, estavam no Picolé Amigo, um bar que o jornalista Hélio Pennafort freqüentava, em constantes escapadelas da Rádio Educadora São José de Macapá. Creio que eu estava em companhia de Joy Edson e alguém, talvez O. Cunha, nos chamou para sentarmos à mesa do poeta. Xarda Misturada, um livro de poemas de Joy Edson, José  (Continua aí embaixo...)



Escrito por Filhos do Alcy Araújo às 00h55
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Continuação...

Montoril e meus, fora publicado. Creio que fora. Em dezembro de 1971. Como dissera Isnard Lima Filho, eu tivera meu batismo de fogo e, agora, estava numa mesa de bar em companhia do poeta. As circunstância não me permitiram permanecer ali por muito tempo. Mas o curto tempo que pude me demorar à mesa curti-o como quem degusta um expresso curto. Foi mágico. Com sua voz profunda, o poeta - jornalista por sobrevivência - lidava com as palavras como um cirurgião talentoso maneja o bisturi. Quanto ao artista, um simples papo de botequim com ele era como cavalgar besouros furta-cores.

 

Na intimidade da mesa de trabalho, papel e caneta na mão, ou à máquina de datilografia, o poeta lidava com as palavras como quem manuseia uma fêmea e extrai dela sons que só ouvimos nos olhos das mulheres mais apaixonadas. Seus poemas e poemas em prosa são um jorro de sensações. Por isso, querida, teu pai está vivo, pois ele, quando o lemos, faz nosso coração pulsar rapidamente.

 

Há mais mistério entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia, disse Shakespeare. É verdade. Nós, artistas - e tu sabes disso, querida -, nos comunicamos com os espíritos. Para nós, não há mortos, nem tempo cronológico. Só há vida. Por isso, encerro estas memórias, querida Alcinéa, caminhando no arco-íris do teu poema Entardecer.

 

Te prometo, Poeta,
que no próximo entardecer
vou pintar um arco-íris
para deixar tua tardezinha
menos triste.

 

Hás de sentir que o entardecer
pode ser tão belo
quanto o alvorecer
que ilumina teu rosto
e abre sorrisos no teu olhar

 

Presta atenção, Poeta,
essa hora que entristece a tua alma
é o momento solene
no qual Deus apaga o sol
para acender a lua e as estrelas

 

Principalmente aquela estrela
que tanto te encanta
quando estás
tecendo sonhos
e versos na madrugada.



Escrito por Filhos do Alcy Araújo às 00h53
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JARDIM, PODE
Como tenho sido pisado
espezinhado, espinhado, repisado
pela vida, pelos desencantos
e desesperos, angústias, desamores.
Canto a terra
a dor dos aflitos
a a inútil esperança dos desesperançados.
Também os negros, os índios e o verde
e presto relevantes serviços topográficos
demarcando itinerários de poesia.
Quando eu morrer
algum vereador
que leu ou sentiu meu verso
que sabe ou ouviu falar do meu cantar
apresentará projeto de Lei
para que eu vire beco, rua ou avenida.
Não quero esta homenagem.
Recuso até ser praça,
alameda, assim também parque ou estrada.
Quero ser um teatro,
um obelisco, uma escola.
Academia também não.
Rua avenida, beco, não quero não.
Não quero que continuem pisando em mim.
Pisar em mim,
só se eu virar jardim.
(Do livro "Jardim Clonal", lançado em 1997 - oito anos após a morte de Alcy)



Escrito por Filhos do Alcy às 18h49
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CARTA DE ÁLVARO DA CUNHA AO ALCY

 

RJ, 27.10.84

 

Alcy

Eu te conheço há quase meio século. De quando te achei, te assumi e te preservo. Os anos somam mais de quatro décadas. nenhum outro amigo data de tão longe. Nem meu casamento é tão antigo. O mais velho de meus filhos é bem mais novo que o musgo da estima que eu te tenho.

 Juntos assitimos à revoluções prodigiosas. Somos contemporâneos e clientes de acontecimentos e mistérios que transformaram o mundo. Diante de nós houve uma grande guerra, os homens foram à lua, dominaram a tecnologia nuclear e satelizaram o espaço.

 De modo que tudo que te diz respeito, comigo tem haver. Ma chateia o fato que te nerva. Aquilo que te ofende me atinge. E qum tua boca beija, a minha adoça.

Por isso mesmo sei que me entendes, inclusive deculpando meu silêncio de meses., até porque pessoas como nós se comunicam mesmo sem palavras.

 Dito isto, Alcy, vamos a um pouco de trabalho, pela ordem:

1 - Teu próximo livro - Aos 20 anos poemas que enviaste para montagem do JARDIM CLONAL, tomei a liberdade de juntar mais 13 - todos estes poemas antigos, e que não incluístes, não sei por quê, na tua AUTOGEOGRAFIA  nem nos PEOMAS DO HOMEM DO CAIS. Copiei-os das várias pastas onde guardo teus poemas e tua correspondência desde o tempo que vivias em Belém do Pará. Perpetrei pequenas revisões. Fica a teu critério aprová-las ou não. Pis os poemas são teus, não meus, infelizmente.

2 - Tua carta bêbada - Que foi como chamaste a gravação em fita que veio regravar em mim o som da tua amizade e me envolver com tua palavra talentosa e boa. Escutei-a várias vezes com a Ester, a Cere, a Hiléia e os rapazes. E ainda a ouvi com o Armando e a Nilza, que ficaram comovidos principalmete com o trecho ond falas da tua conversa com o Luis Monteiro, a respeito da doença do Armando e do falecimento do Alberto.

Obrigado Alcy

3 - Os discos dos compositores e cantores- Como sabes, ese não é bem o meu setor. Não do ramo em crítica musical. Aliás, não sei compor, não sei dançar, nem tocar, nem cantar.

4 - O livro de Obdias Araújo - É sem dúvida surpreendemente melhor, muito melhor do que outros poetas novos que estão sendo lançados no Rio de Janeiro. parece que o Obdias já sabe que a poesia deve ser humana, revolucionária e formalmente boa. Vou ler mais uma vez e depois te escreverei a respeito.

Também depois darei minha opinião sobre o caso aleinação de bens da ICOMI.

Então é só. Fala bem de mim à maridalva e a essas tuas filhas maravilhosas e recebe um demorado e afetuoso abraço do

Álvaro da Cunha



Escrito por Filhos do Alcy às 18h46
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POR ISTO HOUVE SILÊNCIO

O homem havia sido feito assim: bom, humilde, terno para viver dentro de um mundo cheio de revolta. E o mundo foi angustiando o homem, rasurando a sua ternura, arranhando a sua bondade. Por isto que o homem, vítima de muitos desencantos, começou a fazer o que não devia, a andar de cabelos ao vento, telefonar, freqüentar o cais.

A cada sofrimento, o homem fazia mais uma tolice e magoava o seu Anjo. E o Anjo, pobre Anjo aflito, chorava lágrimas imensas, que cresciam em seus olhos como pássaros de luz.

Daí então o Anjo não pôde ter mais um minuto de distração. Mal ele se distraía e lá ia o homem por aí, pés descalços, braços nus em direção ao seu desconhecido, pisando espinhos que nasciam das rosas vermelhas.

Mesmo assim o homem sabia que não estava só, como naquele começo de tarde em que teve vontade de comprar uma bicicleta azul e um cavaquinho. Sabia também que não estava só como naquele poema em que o amor morria por falta de azul e os pássaros brancos deixaram de nascer.

E por ser assim o homem falou ao Anjo que a felicidade existia. Apenas estava além das lágrimas contemporâneas, colocada depois da dor, na continuidade da espera, na renovação de todas as esperanças.

E falou isto quando as estrelas gotejavam silêncio dentro da noite. A música se enovelava no coração e o poema era uma oração nascente.

Então o Anjo pegou o homem pela mão e caminharam em direção ao mar. Foi quando Deus sorriu e achou que o que tinha feito era bom. E descansou, porque era chegado o sétimo dia e na distância Anjo e homem se integravam no azul do mar. Por isto houve um grande silêncio no coração das coisas...
(Do livro inédito “Ave Ternura”)



Escrito por Filhos do Alcy às 18h34
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Revirando seus arquivos, Alcilene achou esta carta - ou melhor, uma prosapoema - do poeta Álvaro da Cunha ao poeta Alcy Araújo. Não está datada.

Todo poeta se põe a tecer, às vezes, reflexões insólitas, a engendrar teoremas de improvável valia e raciocínio lógico, mas de urdidura perfeita às abstrações e grandeza da álgebra poética. Eu, por exemplo, que tenho um olho no Rio de Janeiro e outro no Amapá, me surpreendi um dia desses tabulando na mente a indagação seguinte

         : Não teria sido melhor para o povão amapaense, para cada família humilde em todo o Território, se o mesmo prodígio da natureza que fez aflorar managanês em Serra do Navio, ferro no Vila Nova, ouro em Calçoene, caulim em Mazagão, tivesse operado, ao invés, o milagre de fazer brotar naquelas áreas - também assim de graça, duma hora pra outra, prontas para serem colhidas - aluviões de puro leite, jazidas de pão e carne, safras espontâneas e opulentas de arroz e de feijão?

    .....

 

        Ah, Amapá

        Quando te dizem rico em manganês

        ou em outro qualquer minério nobre

        dou à informação valor de mito,

        conceito de ironia.

        - Pressinto o saque,

        Te vejo pobre.

 

        Poeta

        dói-me perder o que não se renova.

 

        Álvaro da Cunha.

 



Escrito por Filhos do Alcy às 20h10
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AVE-TERNURA

Minha pobre avezinha. Lembro que te encontrei só, à margem do caminho. Havia medo em teu coração e falcões andavam à tua caça. E eu não possuía um ninho pra te abrigar. Possuía apenas uma gaiola de ouro, com água fresca e alpiste. Nela eu te acolhi. E esperei que passasse o teu medo, a tua sede de ternura. Então acariciei de leve, muito de leve, com muito amor, a tua plumagem.

Em raros instantes pensei que ia ouvir o teu cantar. Um dia chilreaste um pouco. E eu senti que a tua inquietação permanecia. Não temas. Esta gaiola de ouro não é uma prisão. É apenas uma pousada. A porta está aberta. Não estás prisioneira. Quando partires ela ficará vazia, de porta aberta e não terá nunca outro hóspede, outro ocupante.

O céu azul, o sol, as árvores verdejantes, as cascatas que murmuram, as flores que saúdam as manhãs estão lá fora, à espera do teu canto.

Vai. Cuida em que não comas ervas venenosas, não bebas em água estagnada. Cuidado com as serpentes que atacam à noite os pássaros que dormem.

Há também os caçadores que matam por prazer. E há os caçadores que instalam armadilhas para fazer pássaros cativos. Cuida para que eles não te encontrem. Lá fora há a amplidão, as árvores têm pomos de ouro e as flores são mais belas. Os bosques têm encantos e músicas. Aqui nesta gaiola há paz e há ternura.

Lá fora há o espaço e o perigo. E tu és uma avezinha solitária, deslumbrada e frágil.

Vai. A porta está aberta. Sempre esteve aberta. Ficará aberta à tua espera, se quiseres voltar. Diariamente, será renovada a provisão de alpiste, de água fresca e de ternura. Mesmo que não venhas. O tempo não importa para o meu amar.

Se algum dia te encontrar novamente à margem do caminho, amedrontada e ferida, eu te recolherei, avezinha. Colocarei bálsamo em tuas feridas. Acariciarei com muito amor, muito de leve a tua plumagem e abrigarei a tua dor nesta gaiola de ouro. Não fecharei a porta. Quando sarares, poderás voar de novo. A porta ficará aberta, continuará aberta. O tempo não importa para o meu amar, feito de esperar renovadas.
(Do livro "Ave-Ternura", ainda inédito)

Se você tem artigos, poesias, crônicas ou sabe causos e histórias de Alcy Araújo entre em contato com a gente pelos e-mails alcinea@uol.com.br e alcilene.c@uol.com.br



Escrito por Filhos do Alcy às 01h55
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Artigo de Alcy Araújo publicado no jornal Amapá Estado logo após o resultado das eleições municipais de 1988. Não temos a data exata da publicação. E como o recorte do jornal está bastante danificado, não foi possível identificar o título.

Perderam Orestes Quércia, Miguel Arraes, Moreira Franco, Gilberto Mestrinho, o folclórico governador das Minas Gerais e outros governadores nascidos do ventre da Nova República.

Não importa quem derrotou as brilhantes estrelas que subiram dos memoráveis movimentos pela anistia, pela constituinte, pelas eleições diretas. Todos falharam por cumplicidade ou por omissão. Não há inocentes, todos são culpados, inclusive de alta traição à democracia.

Não há democracia sobre os fundamentos da desigualdade social e muito menos da miséria. Então o povo reagiu e usou o voto como navalha, para cortar algumas cabeças da hidra, alguns tentáculos do polvo.

E como isto aqui também é Brasil, em que pese o Ministério do Interior, o povo também se levantou, empunhou a foice, o martelo, o tacape, a cruz, o cajado e foi à luta. Não foi conduzido pelo guia, pelo centro da estrada, em procissão.

Foi como o estouro de uma boiada, cujo destino era sair dos desfiladeiros e chegar na planície, onde se abeberar.

À frente um jovem líder, seguido por uma massa multicolorida, sem gramática, mas com o diálogo comum da exigência de mudança e a esperança de que o povo terá vez não apenas para pedir, mas para ser atendido.

Azevedo Costa e Raquel Capiberibe prometeram que “Macapá vai brilhar” e não brilhou. Por trás de Azevedo e Raquel estava o vitorioso de hoje, com um novo discurso.

A coligação vitoriosa, os populistas que chegaram na frente, prometem um Governo do Povo, com o povo, pelo povo e para o povo. Logo saberemos se as promessas vão ser cumpridas.

Basta que o sr. Alberto Capiberibe diga, por exemplo, como pretende solucioar o problema dos transportes dentro do Município. Também qualquer outra questão, entre tantas, que penalizam a coletividade.

Se tiver sucesso pode encomendar o terno para tome posse como governador, saindo da Prefeitura nos braços do povo até chegar carregado em triunfo ao Palácio do Setentrião.

Mas se falhar, como aconteceu com Azevedo Costa, não servirá nem como cabo eleitoral. É bom lembrar o que disseram os candidatos do PMDB. Segundo eles  o economista Jurandil Juarez não era candidato de ninguém, numa alusão ao prefeito Azevedo Costa cuja administração não carreou votos para seu correligionário.

Para Alberto Capiberibe, se Azevedo Costa não serve como exemplo é de extraordinário valor como lição. O momento é de euforia, que logo se transformará em expectativa. Em seguida chegará a hora da onça beber água, do enfrentamento da realidade, sempre mais difícil do que julga a nossa vã filosofia.



Escrito por Filhos do Alcy às 01h52
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Comentário do poeta e jornalista Paulo Ronaldo Almeida

"O tio Alcy é uma referência para todos nós que escrevemos aqui e ali um verso. Sem dúvida nenhuma devemos muito a ele e temos muito a aprender com o "Poeta do Cais", que melhor do que ninguém sabia usar as palavras seja em forma de poesia, crônica ou em textos jornalísticos."



Escrito por Filhos do Alcy às 01h19
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Radialista João Lázaro diz:

“Parabéns pela iniciativa em publicar o que for possível resgatar, da imortal obra de Alcy Araújo.”



Escrito por Filhos do Alcy às 01h17
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Jornalista Joel Elias comenta:

“Ainda bem que nem tudo está perdido nesse país onde o presidente veste quimono para lutar no tapume. A idéia de lançar o blog do "Tio" Alcy é simplesmente genial e, com certeza, servirá para incentivar mais iniciativas como essa enfocando outros personagens que contribuiram para o engrandecimento da nossa cultura”.



Escrito por Filhos do Alcy às 01h15
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Bonfim Salgado relembra:

O HI-FI DO ALCY ARAÚJO

Outro episódio da vida real, passou-se com o inolvidável Alcy Araújo, jornalista e poeta de quatro costados. Nunca tivemos a chance de trabalhar juntos. Mas, na macapá daquela época, cidadezinha pequena e, talvez, tão proviniana quanto hoje, mantínhamos uma espécie de coexist~encia pacífica. Alcy, era ligado ao governo e à Rádio Difusora, emissora oficial. Eu, pertencia á Rádio Educadora São José, portanto, do lado da oposição ao governo militar. Porém, estar em lados opostos, politicamente, ou administrativamente, nunca impediu que Alcy Araújo, ao encontrar-me em lugares públicos, como restaurantes e bares, sempre mandasse oferecer-me uma bebida. Ele sabia que eu gostava de "Hi-fi", aquela mistura de vodca com suco de laranja. Também sempre apreciei uma boa cerveja. Alcy preferia uísque, uns bons goles de cachaça decente, ou uma boa caipirinha. Um dia, já cansado de ingerir hi-fi, disse pra ele não mandar mais essa beberagem à minha mesa. Indagou por que e o que eu passara a beber. "Qualquer oisa". - respondi. Desde esse dia, ele não mandou-me hi-fi, mas cerveja e caipirinhas deliciosas, elaboradas pelo Tom Jucá, enquanto a gente ouvia Chico Buarque, no barzinho chamado 'A Tenda", do Elson Martins. (Bonfim Salgado, no blog Vale o Escrito, em 07/10/2005)



Escrito por Filhos do Alcy às 01h09
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O Amapá tem uma dívida muito grande com o poeta e jornalista Alcy Araújo. Focalizando seu livro Poemas do Homem do Cais, lançado no Rio de Janeiro em 1983, um crítico disse ser ele personagem de poliédricas qualidades intelectuais – jornalista emérito, arguto analista dos problemas sócio-econômicos de sua região, competente produtor de rádio – que adensa e universaliza o seu talento na poesia.

A dívida que o Amapá tem com Alcy não pode ser resgatada com um simples blog, mas este blog que acabamos de criar vai resgatar uma pequena parcela da dívida contraída em mais de meio século de sua presença na literatura e no jornalismo amazônicos.

Garimpamos em jornais, revistas, textos de programas de rádio, algumas das faces do poliedro que é Alcy Araújo.

A poesia onde transitam ternuras, revoltadas às vezes, porém ternuras. Passam lembranças, sonhos, esperanças, amores que ficaram grisalhos ou singelamente partiram. Onírico e lúdico, Alcy era um poeta instigante e com intimidades com anjos e rosas.

Garimpamos artigos e entrevistas que mostram o compromisso do jornalista com esta terra, a sua luta para que o Amapá recebesse as compensações pela exploração de seus recursos naturais, a luta pela elevação do Território Federal do Amapá à categoria de Estado, o seu empenho pela valorização dessa terra e de seu povo e tantas outras bandeiras levantadas por ele.

Não é muito fácil cumprir esta tarefa a que nos propomos. É uma verdadeira gincana, percorrendo estantes e gavetas, artigos, crônicas e versos.

É que Alcy Araújo praticamente não tinha arquivo. Não usava carbono. Não trabalhava os originais. Escrevia como falava, sem rasuras. Do que não publicou, quase tudo se perdeu. E o que foi publicado precisa ser procurado em arquivos nem sempre encontrados com facilidade.

No blog que acabamos de criar não é possível retratar o poeta e jornalista de corpo inteiro, mas apenas detalhes de suas múltiplas faces. Será como um flash dessas faces, do homem  que falava com suave carinho do Messias anunciado pelos profetas, chamando-o de Jesus Cristinho. Um poeta terno e bom, como um anjo em formação, que sabia que é proibido odiar, invejar e desamar.
Se você conhece histórias, causos e fatos da vida de Alcy Araújo conte pra nós. Se você tem artigos, fotos, músicas de Alcy Araújo e puder nos ceder ficaremos muito gratos.



Escrito por Filhos do Alcy às 06h14
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